Marie-Étienne-Adrien Gréa nasceu na França, a
Lons-le-Saunier no dia 18 de fevereiro
de 1828. Depois dos primeiros estudos, se transferiu com a família na
cidade de Besançon, em 1840. Ali fez os estudos
clássicos. Após 4 anos a família se transferiu em
Paris onde Adriano conseguiu a Licença em Direito Civil na Sorbona
e em 1850 conseguiu o diploma de Arquivista-Paleólogo na escola de Paleografia,
com a tese "Ensaio histórico sobre os Arcediagos".
Essa tese o levou a estudar as estruturas eclesiásticas da Idade Média. Nessa
altura descobriu os Cônegos. Estes, desde o século IX-X, eram sacerdotes
inscritos na lista de serviço numa determinada igreja. Cada catedral, por
exemplo, tinha o seu número de cônegos e aí exerciam o ministério, enquanto que
no ambiente rural, atuavam os Monges.
O
Gréa distinguiu dois tipos de cônegos: uns que conservavam os próprios
bens pessoais, outros, que colocavam em comum, além da oração, os bens pessoais
também. Esses últimos foram chamados Cônegos Regulares: dois nomes para
significar a mesma coisa, quer dizer, sacerdotes que tinham uma regra de vida.
Além
de amadurecer a vocação sacerdotal, fortemente contrastada pelo pai, o Gréa
pensava na renascença dos Cônegos Regulares, uma instituição muito difundida na
Europa da Idade Média. O dia 13 de janeiro de 1856, na cidade de Saint Claude
(Jura), recebeu as ordens menores pelo Mons. Mabile. No dia seguinte, viajou
para Roma; é hospede dos beneditinos da basílica de São Paulo.
Aos
20 de setembro do mesmo ano é consagrado
sacerdote. Ele já tinha feito os estudos teológicos sozinho sob a direção
de M. Hiron. Volta na França e, a Baudin,
na diocese de Saint-Claude, exerce o sacerdócio entre os operários da firma que
pertencia ao tio materno, Edmond Monnier, e cria uma "maîtrise"
(mestria), quer dizer, uma escola de educação religiosa e iniciação litúrgica
para meninos. No dia 1 de outubro de 1854 a igreja é consagrada pelo Mons.
Mabile com o nome de Imaculada Conceição. O dogma da Imaculada Conceição será
proclamado no mesmo ano, no dia 8 de dezembro. Os
fiéis mesmos conseguem participar à oração de algumas partes do Ofício Divino.
Em
1863 Dom Gréa é nomeado Vigário Geral do bispo
de Saint Claude e aí fica por 18 anos. Recusa a nomeação a bispo por duas
vezes.
A
partir de 21 de novembro de 1865, junto com dois companheiros, começa a viver
uma tentativa de vida canônica e um ano após, os três pronunciam os votos.
Em
1870 participa do Concílio Vaticano I,
como teólogo do seu bispo, Mons. Nogret e expõe ao papa Pio IX o seu projeto de
restauração da Ordem Canonical na França, segundo uma
observância muito estrita, tirada das regras de S. Agostinho e S. Bento.
Em 8 de setembro de 1871, Dom Gréa, com quatro companheiros, pronuncia os votos solenes nas mãos do bispo de
Saint Claude que aprova as regras e instaura o serviço coral de dia e de noite.
Em 1876 (8
de abril) o papa Pio IX concede o "Decreto de laudo" (primeiro passo
para a aprovação) aos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição. Aos 12 de março de 1887 o papa Leão XIII
aprovou e confirmou o Instituto, adiando a momento mais oportuno a aprovação
das Constituições, achadas não suficientemente completas.
A
comunidade cresceu até 80 membros, apesar das rígidas observâncias monásticas
(Ofício cantado inteiramente em gregoriano de dia e de noite,
abstinência perpetua, jejum estrito). Isso conseguiu cativar a atenção
de eminentes pessoas, entre as quais, Mons. de Ségur e Mons. d'Hulst (fundador
da Universidade Católica de Paris), mesmo se não faltaram as
críticas.
De
fato, em 1890, em conseqüência das
dificuldades surgidas com o clero da catedral de Saint-Claude, a comunidade de
Dom Gréa se transferiu a Saint Antoine (diocese de Grenoble).
Aqui
ele se orientou com uma grande comunidade da qual dependiam pequenos Priorados
cujos religiosos conservavam estreita relação com a casa central. A idéia era
um pouco confusa e a confusão aumentou quando em 1890 aceitou enviar uns
religiosos no Canadá, acompanhando as famílias do Jura (região montanhosa no
sudeste da França). Esses religiosos tiveram uma vida muito dura, verdadeiros
pioneiros. O Pe. Paul Benoît com seus religiosos se instalou na diocese de
Saint Boniface, tendo como centro Notre Dame de Lourdes.
Aos
30 de setembro de 1896 um decreto da
Congregação dos Bispos e dos Religiosos erigiu o mosteiro dos Cônegos Regulares
de Staint-Antoine em Abadia e o Gréa recebeu o título de Abade.
Foram
abertas fundações na França, Suíça e Escócia, além do Canadá. Em 1899 foi
fundada em Roma uma Procura e uma casa de Estudos.
Em
1885 Dom
Gréa publicou o seu livro "A Igreja
e sua divina constituição", obra de valor teológico, não somente para
sua época.
Em
1903 as leis Waldeck-Roussau-Combes
obrigam a Congregação a exilar para Andorra,
na Ligúria (Itália). Mas aqui começa a grande provação para o nosso Fundador.
Em
algumas casas do Instituto, especialmente na de Roma, começou uma certa
insatisfação a respeito da Regra, achada muito rígida, impraticável, não
funcional. Em 1907, após uma Visita Apostólica,
o superior da casa de Roma, Dom Agostinho Delaroche, assistido pelo Pe. Moquet, foi nomeado pela congregação dos Bispos e Religiosos,
Vigário Geral de todo o Instituto, no lugar de Dom Gréa, com a tarefa de
apresentar o mais cedo possível as Constituições para a aprovação da Santa Sé.
O Delaroche redigiu as Constituições, levando em conta as novas normas do
Direito que regulavam a fundação de novos Institutos, e suprimiu assim, quase
todas as observâncias monásticas que o Gréa queria e instaurou uma
centralização como em todas as congregações clericais. Perdeu-se assim o
caráter local da comunidade.
As
novas Constituições receberam a aprovação definitiva em 1912. Evidentemente que o Gréa não reconhecia nelas a sua obra.
Precisa dizer que na congregação dos Bispos e Religiosos não se entendeu quase
nada a respeito dos Cônegos Regulares que Dom Gréa queria restaurar.
Assim
os religiosos do Canadá, contrários às mitigações da Regra, se separaram, como
os da Suíça. Do Peru falaremos mais a frente.
Dom
Gréa fica em Andorra com cinco ou seis religiosos. Quando em 1913 recebeu a ordem de fechar a casa,
pediu e recebeu a permissão de viver em Rotalier,
perto de Lons-le-Saunier, junto com um de seus sobrinhos. Em 1916 celebrou as bodas de diamante de
seu sacerdócio (60 anos de ordenação).
Faleceu
no dia 23 de fevereiro de 1917 e foi
enterrado na cidade Sainte-Agnés, perto de Rotalier, na França.
Em
1885 D. Gréa publicou seu livro "A Igreja e
sua divina constituição". Essa obra é a exposição do pensamento
teológico do nosso fundador. Aqueles que conhecem bem a constituição "Lumen Gentium" sobre a
Igreja, do Concílio Vaticano II, não devem estranhar se, nessas linhas, acharão
muitas afinidades.
Vamos
logo ver as idéias principais.
O
autor enuncia o conceito de Igreja como mistério; quer dizer, a Igreja é a
revelação e o prolongamento no tempo do mistério trinitário.
A encarnação do Cristo se prolonga no mistério da Igreja. Como conseqüência
"a Igreja ocupa, entre as obras de Deus, o mesmo lugar do Cristo: o Cristo
e a Igreja são uma mesma obra de Deus".
"Como
o Pai me enviou, eu também vos envio" (Jo
17,18). É a frase chave da economia sobrenatural da humanidade redimida que o
Gréa resume assim: Deus é a cabeça do Cristo, Cristo é a cabeça da Igreja e o
Bispo é a cabeça de uma igreja.
No
plano de Deus a missão dos apóstolos continua a missão messiânica de Cristo; o
colégio episcopal continua o dos apóstolos; no decorrer dos séculos essa
transmissão se estende à Igreja universal e se diversifica nas igrejas
particulares.
D.
Gréa não desenvolve os aspectos institucionais da hierarquia, como era costume
nos manuais teológicos do tempo, mas prefere mostrar como a Igreja seja a
perene epifania do Cristo na sua cabeça e nos
membros. Isto é, põe o fundamento da hierarquia no seio do mistério da
Trindade. O papa é o Vigário de Cristo; como Pedro era o chefe dos apóstolos,
assim os bispos dependem da autoridade do pontífice e são os seus primeiros
colaboradores.
O
Gréa fala de Igreja universal e de Igreja particular.
Por
Igreja Universal entende-se a realidade salvífica
inaugurada por Cristo na terra, continuada pelo Espírito Santo por meio dos
apóstolos. Esta realidade de salvação cria a Igreja-Corpo de Cristo, isto é, a comunidade
universal dos crentes.
Por
Igreja Particular entende-se uma comunidade particular no seio da universal,
isto é, um povo cristão, determinado, localizado, objeto do
cuidado pastoral dum só bispo.
É
essa a grande novidade teológica que os padres do último Concílio retomaram no
discurso eclesiológico sobre a Igreja Local. Mais
ainda, no pensamento do Gréa, o Bispo assume um papel determinante, tanto que,
o nosso fundador foi apelidado pelos seus contemporâneos de teólogo do
episcopado, e segundo Yves Congar, teólogo da Igreja
Local. Assim o bispo é aquele que faz de uma particular comunidade cristã uma
Igreja particular.
Em
outros termos, a Igreja particular é, para o Gréa, a realização e a encarnação
da Igreja-comunidade universal, porque essa de fato, fica ainda um conceito
muito abstrato. Pensemos por exemplo às dioceses dentro da universal comunidade
dos crentes, mesmo se os termos "diocese" e "igreja
particular" sejam muito parecidos, não se eqüivalem
totalmente.
O
Concílio Vaticano II deseja que as Igrejas particulares sejam uma imagem o mais
perfeita possível da Igreja Universal na qual, elas têm em si todo mistério. As
comunidades locais sem bispo são verdadeiras igrejas somente pelo fato de os
sacerdotes tornarem presente o Bispo e atuarem por sua autoridade (L.G. 28).
Pela
liturgia da Igreja particular, segundo o Gréa, o que constitui a
"oficialidade" do culto e da oração é a presença do Bispo; enquanto o
seu aspecto público é dado pela ativa participação, de fato e de direito, do
povo fiel. A presença simultânea das características constitutivas da
oficialidade e da "publicidade" confere ao culto e à oração a sua
qualifica litúrgica, cada vez que haja um povo que reza em união com seu Bispo
ou com quem o representa.
Somos
uma comunidade de padres que vivem a vida religiosa e são dedicados ao pastoreio
do Povo de Deus. Em nossas Constituições ou Regras de Vida, colocamos bem
no começo a Regra de S. Agostinho que poderia ser resumida com as seguintes
características: vida apostólica, comunhão fraterna e oração.
Vida
apostólica significa viver como os Apóstolos viveram com Cristo e suas
comunidades. A comunhão fraterna é a conseqüência primeira de tal vida.
Significa comunhão de bens, de sentimentos e de fé, tendo como fonte natural a oração. Em formas diferentes, nós CRIC tentamos viver o
ideal de vida proposto por S. Agostinho segundo o espírito de Dom Gréa que
restaurou a vida canonical. Como família religiosa procuramos professar e viver
os conselhos evangélicos da castidade, da pobreza e da obediência com uma vida
comunitária.
Por
vida comunitária entende-se formar uma família cujos membros sejam animados
pelo afeto recíproco, pela caridade. Numa palestra Dom Gréa dizia assim:
"A caridade que nos une deve ser a mesma caridade que une o Pai e o Filho,
isto é , o Espírito Santo.
Pelo
Batismo o cristão é chamado ao amor para com Deus e com o próximo e nós
religiosos procuramos realizá-los segundo essa forma de vida. Na Eucaristia e
na oração comunitária encontramos a fonte e a expressão mais própria da
comunhão de vida.
Os
votos, ou conselhos evangélicos, são dons do Senhor
que nos auxiliam no caminho à santidade, caminho ao qual todos os batizados são
chamados. Não são um limite
à liberdade humana, ou uma renuncia ao amor e à própria responsabilidade, e sim
uma ajuda eficaz para se tornar testemunhas e apóstolos de Jesus. Precisa viver
como Ele viveu.
Além
do mais, os votos ajudam todos aqueles que, entre nós são também sacerdotes. O
sacerdócio encontra uma grande ajuda na vida comunitária, nos votos e na
oração.
A
oração, comunitária, pessoal, litúrgica, a do Ofício Divino, caracterizam a
nossa família religiosa, mesmo que outras congregações tenham o mesmo.
O
que é que nos diferencia, ou melhor, que aponta o nosso lugar dentro da Igreja?
Eis a nossa finalidade essencial: somos padres religiosos, pertencentes à Ordem
Canonical, destinados ao serviço pastoral nas dioceses sob a jurisdição do
Bispo. Essa idéia floresceu em toda Europa no século XII. O clero se agrupava
em comunidades sob a direção do Bispo para exercer melhor o ministério
pastoral. É essa uma exigência ainda muito atual.
Então
nós CRIC não somos Monges de convento (tipo clausura) e tanto menos
Sacerdotes diocesanos, ou clérigos emprestados a uma diocese. Mas numa única forma de vida
juntamos os dois serviços para o bem da Igreja. O que marca a visão canonical
em Dom Gréa é o lugar do Bispo dentro da Igreja. O Bispo, continuador
dos Apóstolos, expressa, reúne, significa, apascenta as comunidades locais que
formam a grande Mãe-Igreja.
Os
campos de ministério para os CRIC não podem ser reduzidos unicamente ao
ministério paroquial, mas devem se alargar a todas as necessidades do Povo de
Deus em profunda comunhão com o Bispo e a Igreja diocesana. Onde o Povo de Deus apela,
o cônego regular deveria estar lá.
1. As fundações no
Peru
A primeira fundação foi em Chachapoyas em 1905. Nessa primeira equipe faziam parte os
padres Amedée Harduin-Duparc,
Casimir, Cesairé Anthoine, Colin e o irmão Antoine
Ducher que nunca voltou para a Europa. Os primeiros
tempos da fundação (paróquia e direção do seminário) foram heróicos, como relata
uma carta do Pe. Agostinho Delaroche ao Gréa. Mas a extrema pobreza não tirava
a alegria dos pioneiros. Porém as dificuldades aumentaram e Chachapoyas
durou pouco. Assim os padres foram para Callao (o
porto de Lima) e assumiram La Matriz desde 1907 e, de
1907 até 1910 serviram a paróquia de Cerro de Pasco.
Também aí não faltaram as dificuldades. Foram para Huanuco
assumindo a direção do seminário São Teodoro, de 1911 a 1915. Outros, em 1910
estão em Ica e aí ficarão muito
tempo, tanto na paróquia como no Colégio e na Escola Apostólica
"feita para formar sacerdotes com vida comunitária". Depois de Huanuco voltaram à vida paroquial em Jauja,
em 1915, na Sierra dos Andes. Ali os nossos padres
trabalharam bem e por muitos anos. De 1913 a 1919 servem a paróquia de Chiclayo. Aqui teria uma magnifica
história que deu seus heróis, até mártires. Entre os padres italianos que
trabalharam no Peru, lembramos Pietro Ciaffei, Famiano Pepe e Andrea Bortolotti, do qual falaremos na fundação italiana e
norte-americana. O Pe. Joaquin Beracochea,
espanhol, trabalhou muito tempo também no Peru. Depois da sua morte assumiu a
direção da comunidade o italiano Teodoro Piccinelli.
Atualmente ele é o Vigário na paróquia Santa Teresita
em Lima. O italiano padre Giorgio Ongaro também ficou
muitos anos no Peru. Perto da paróquia, temos o seminário Dom Gréa com o Pe. Gérard Dubé, o último dos
franceses que ficou no Peru. Não podemos esquecer o francês Jean Marie Mondet que desenvolveu um trabalho pastoral na base, na
periferia de Lima. Por duas vezes foi expulso do Peru, por causa da sua atuação
no meio dos mais pobres. Infelizmente não teve a compreensão dos confrades. O outro peruano, Pe. Juan Florencio
está vivendo numa paróquia dos Estados Unidos. A presença CRIC no Peru foi
muito importante. Dom Gréa queria enviar padres no Brasil, mas os de Roma
preferiram o Peru. Aqui vieram quase exclusivamente padres franceses e uns
poucos italianos. Agora estamos tentando reativar as vocações nativas. O Peru
no passado sustentou a fundação na Itália do norte.
2. As fundações no
Canadá
Também no Canadá a influência CRIC
foi importante. Já fizemos algumas alusões a Notre Dame de Lourdes, no Manitoba e ao grupo de paróquias ao redor da "Collegiale". Também no leste, na província do Quebec,
tivemos o lindo centro de Nominingue, com o Colégio,
a paróquia e centros anexos; ao tempo duma visita canônica de Dom Gréa, em
agosto de 1898, tinha em Nominingue 14 professos, 3 irmãos coadjutores, 1 postulante e 6 "pequenos
irmãos". Mais tarde é a vez da fundação de La Anonciation, paróquia importante com seus anexos (La Macaza, La
Minerve, Turgeon). Em 1949,
os nossos padres, já bem conhecidos, fundaram um novo centro a Brigham. Ulteriormente foi aberto um Centro de Documentação
Pastoral, uma espécie de livraria da imprensa católica em língua francesa. Aí
trabalhou muito o Pe. Jean Rigaud, atualmente
substituído pelo italiano Bruno Mori. O Pe. Gaston Fontaine, falecido em
1992, foi um liturgista reconhecido, tanto em Roma
como no Canadá e França. O Pe. Claude Piel,
ex-superior geral, continua na paróquia de Brigham.
Após esses poucos padres, já de idade, quem continuará os CRIC no Canadá?
3. As fundações na
Inglaterra
Nesse país, os Cônegos Regulares
floresceram até à Reforma, em pequenas comunidades (6,
7 pessoas), mas desparramados em todo canto.
Reapareceram mais tarde com os Premonstratenses e os Lateranenses, na Cornovalha. As
nossas origens remontam ainda ao tempo de Dom Gréa, com o Pe. Cottet que atuou na Escócia (Dumfries).
Mais para frente, o Pe. Marquis, professor de
literatura em Avignon, desejoso de aprender o inglês,
foi na Inglaterra onde conheceu a família Burgess,
por meio de um anúncio de jornal. Com ânimo alegre e desprendido, Pe. Marquis se relacionou muito bem com o Sr.
Burgess, o qual era presidente de uma refinaria de
petróleo numa localidade na boca do rio Tamisa. Francis Burgess,
um dos seus filhos, gostou muito do ideal dos Cônegos Regulares e aceitou ir
para Roma. Na atual casa na Rua Federico Torre,
aberta em 1922, Francis começou o noviciado, junto com Jean Rigaud,
sob a direção do Pe. Royon em 1924. Mesmo de família
rica, Francis Burgess se adaptou bem à vida
comunitária, naquele tempo muito dura por falta de alimentação. Pe. Francis foi
ordenado sacerdote em Londres no dia 27 de julho de 1930 (no mesmo dia em que
Pe. Luis De Peretti, futuro superior geral, era
ordenado sacerdote na igreja de S. Inácio, em Roma). Os pais de Pe. Francis lhe
arrumaram uma paróquia a Epping. Ali construiu uma
igreja, ajudado pelo Pe. Antoine Chalumeaux.
Posteriormente passaram aí os padres Michael Schean,
irlandês e, por breve tempo, Alfredo Scipioni, ainda
estudante. Levaram uma vida simples, de silêncio, dado que o apostolado era
pouco pela escassez de famílias católicas. Fez amizade com a família Iverson, grande colaboradora da nossa comunidade ainda
hoje. Ficaram em Epping por 20 anos, juntando-se a
eles os PP. Reginald Brown e John Taggart. Em 1954 a
família Burgess construiu uma igreja em Harlow, perto de Londres. Formou-se um estudandado,
que cedo deu quatro novos sacerdotes: Michael Turner
e James Cassidy (ambos estudaram uma temporada em
Roma), Michael Doyle e Paul Boland. Em 1973 foi
assumida a paróquia de Milton Keynes, sempre nos arredores de Londres. Hoje é a
única paróquia atendida pelos CRIC da Inglaterra.
4. As fundações na
Itália
Já falamos da casa de Andorra, na Liguria, onde pararam Dom Gréa e a comunidade de Saint
Antoine em seguida às leis de expulsão do ano 1903; desta casa tivemos os PP.
Isidoro, Luigi Grossi, Antonio Novaro
e Andrea Bortolotti. Em
1895, a Roma, perto do Gianicolo, foi comprada uma
casa para estudantes pelo irmão do Pe. Agostinho Delaroche e pela família Harduin-Duparc. Entre os primeiros estudantes, quase todos franceses, esteve Pietro Ciaffei,
nativo dos Castelli Romani.
Dois padres canadenses desenvolveram o ministério na região que mais tarde se
tornará paróquia. Já desde 1912 o Pe. Delaroche pensava em construir uma
paróquia com uma igreja-santuário, Regina Pacis e uma
cripta dedicada ao S. Cura d'Ars. Foi vendido o Estudandado para construir uma casa em Via Federico Torre. A casa foi aberta em 1922. Em 1930
acabou-se a cripta; em 1942 foi erguida a linda igreja S. Maria Regina Pacis. Em 1909 foi-nos oferecido em enfiteuse o convento
capuchinho de Gallese (Viterbo)
que serviu como casa de campanha. Aqui teve um comecinho
de alunos que continuará depois em Roma. Os PP. Ciaffei
e Grossi ocupavam-se da paróquia Regina Pacis e o Pe. Antonio Novaro do Escolasticado. Em 1925 o Pe. Ciaffei
vai para o Peru e o Pe. Antonio ajuda o Pe. Luigi Grossi.
Era desejo do Pe. Casimir e do Pe. Ciaffei abrir um escolasticado na
Lombardia (norte). A ocasião veio em 1940 a Drugolo, um povoado de Lonato (na província de Brescia).
Aqui trabalhou muito o Pe. Andrea Bortolotti
que, ulteriormente foi para o Peru e depois de muitos anos, para Pasadena (Los Angeles - EUA). Em
1947 a comunidade transferiu-se a Montichiari
(província de Brescia). Aqui a Pe. Serafino Panebianco trabalhou
duro, mas conseguiu bons frutos: de fato, o Instituto Maria Imaculada garantiu
até hoje uma continuidade de vocações e sacerdotes religiosos. Na Escola
Apostólica de Montichiari trabalharam os PP. Abbo e Edmondo Catoni (1948), ajudados posteriormente pelo Pe. Brossard e
pelo Ir. Lucien Aubert.Anos depois os PP.
Luigi Emiliani, Vittore Prederi e Agostino Goglioni ajudarão em Montichiari.
Contemporaneamente a casa de Roma recebe os alunos de Montichiari que continuam os estudos superiores.
Posteriormente foram abertas outras paróquias; em Roma a paróquia Natività di Maria, a de San Giulio; na diocese de Frosinone, ao sul de Roma, três paróquias, com os padres
residindo na mesma casa. Perto de Brescia, foi a vez de Esenta e agora de Borgosotto. Mais a paróquia de S. Giacomo
em Piubega (Mantova).e a paroquia S. Maria Madalena em
Volta mantovana (MN) A comunidade italiana floresceu
bem também nos tempos do Pe. Alfredo Scipioni. Hoje a
crise atingiu também os italianos: os estudantes diminuiram
de número, mesmo que se tente reativar uma nova ação vocacional na casa de Montichiari com os PP.
Guarisco Rinaldo, Giampaolo Tortelli e Giovanni Zilioli.
Três padres italianos, Clemente Treccani, Fiorenzo Bertoli e Giuseppe Chiarini iniciaram desde 1984 uma experiência missionária
no Brasil. Para isso dedicaremos espaço numa outra página.
5. As fundações na
França
Não repito as etapas de Dom Gréa e
da comunidade CRIC às origens na França. Alguns padres, entre eles o Pe. Gressot, se instalaram a La Bocca, cidadezinha perto de
Cannes, no sul da França. Trabalharam aí até 1947. O Pe. Jacques de la Celle veio daqui e foi vigário
da paróquia de Les Carmes
em Avignon por muitos anos. Em 1913 os PP. Lefebvre, Royon, Anthoine, residentes a Sault,
perto de Carpentras, começaram o ministério em
paróquias rurais (Monieux, St.
Jean, St. Christol) segundo
o estilo canonical. Em 1916 os PP. Chuard, Marquis e A. Champagne assumiram
a direção do seminário Menor de Avignon. Essa
atividade continuou mais ou menos até 1955. Quase todos os sacerdotes de Avignon daquela época foram alunos dos nossos padres.
Em
1917-18 o Pe. Foisset iniciou a St. Symphorien aux Carmes.
O testemunho religioso dos padres em Avignon é
uma das nossas lembranças mais lindas. Vida religiosa e ministério pastoral
encontraram seu equilíbrio no espírito canonical. Após uma primeira provação,
em 1909, na diocese de Versailles, a Chauffour, os CRIC assumiram a direção da paróquia de St. Ouen, na "banlieu rouge" de Paris, até
1951. Em 1931 nos é confiado o Grand Seminaire de Gap (Hautes Alpes) e um pequeno centro: Notre Dame de Laux, a 5 km de Gap. Por falta de
pessoal tivemos que abandonar esse pequeno centro em 1948. Enquanto que para o
Grande Seminário de Gap foi desenvolvido um ótimo
trabalho até 1957 pelos PP. Royon (superior por 15
anos), Amedée Harduin-Duparc,
Luis De Peretti (1948-1957) e Pierre Fouret (1949-1957). Em 1957 Pe. De Peretti,
eleito superior geral, e Pe. Pierre Fouret seu
Vigário, vieram para Roma, um para a direção geral da Congregação e o outro
para a direção dos Estudantes. Muitos jovens italianos, alunos da escola
Apostólica de Montichiari continuaram seus estudos
sob a direção do Pe. Fouret, tornando-se sacerdotes.
Em 1920 nos instalamos em Charroux, nos restos da
Abadia, propriedade da família Harduin-Duparc herdada
pelo Pe. Amedée. Aí devia ser a residência do noviciado,
mas esse e a escola apostólica acharam lugar a Fontanières
perto de Lion. Aqui fizeram seu noviciado De Peretti,
Constant Robert e Souchière. Em 1935 o Pe. Casimir, comprou Taulignan, perto de Valréas, com
a venda de Fontanières. Durante 20 anos e durante a
segunda guerra mundial, Taulignan será casa de
noviciado e escolasticado.Em 1952-53 quis-se fazer
una escola apostólica a Canisy (norte da França). Os
PP. Marcel Rigaud e Constant foram os superiores. Não
podemos esquecer todos os numerosos padres franceses "missionários"
no Peru e no Canadá. Atualmente o pe. Bernardo Loy
atende a paróquia de Charroux.
6. A fundação no
Brasil
Em 1984 o Pe. Clemente Treccani chegou ao Brasil, depois de muitos contatos com a Província Sul-brasileira dos Missionários da Sagrada Família do Pe. Berthier e o bispo Dom Ivo José Lorscheider, na época Presidente da CNBB e bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ele fez o curso CENFI no Centro Cultural Missionário de Brasília e depois, esperando o Pe. Fiorenzo Bertoli e a missionária leiga Maria Ausilia Oddo, que chegarão em novembro do mesmo ano, ficou junto aos padres MSF em Anchieta (S. Catarina). Já pelo Natal de 1984 estamos em Jataí, no estado de Goiás, quando o bispo Dom Benedito Coscia nos confiou as paróquias de Caçu, Itarumã e Itajá. Foi um começo muito entusiasmante, mas muito abalado com o assassinado de Vilmar José de Castro, coordenador da catequese em Caçu, acontecido no dia 23 de outubro de 1986. Em seguida a ameaças e por falta de apoio das autoridades, voltamos para o sul e no mês de março de 1987 assumimos a paróquia de Palma Sola, na diocese de Chapecó (S. Catarina). Em outubro do mesmo ano veio o Pe. Giuseppe Chiarini. Em 1989 assumimos a paróquia de Anchieta, com o Pe. Fiorenzo como vigário. Sempre foi nossa preocupação a animação vocacional, além do ministério paroquial. Contamos agora com um pequeno grupo de seminaristas. O Pe. Jandir Luiz Hess, natural de Anchieta e ordenado no dia 28-12-97, é o primeiro CRIC brasileiro. No dia 10 de janeiro de 1999, deixamos a paróquia de Anchieta para morar no Seminário S. Mônica, perto de Brazabrantes, construído pelo Pe. Fiorenzo Bertoli. A escolha de nossa residência definitiva em Goiás, foi motivada pela boa acolhida do arcebispo de Goiânia, Dom Antônio Ribeiro de Oliveira. A ele devemos nosso agradecimento, como ao caríssimo Dom José Gomes, de feliz e saudosa memória. No dia 21 de julho de 2007, mais dois padres brasileiros foram consagrados pelas mão do arcebispo emérito de Goiânia, Dom Antônio Ribeiro de Oliveira: eles são os padres Renato Inácio da Silva e Silvio Rogerio Zuraweski.
7. A fundação nos Estados
Unidos
Os PP. Andrea
Bortolotti, italiano, e John Taggart,
irlandês, depois de muitos anos de experiência missionária no Peru, foram para
a Califórnia, nos Estados Unidos. Em Pasadena, perto
de Los Angeles se reencontraram com Mons. Michael Schean. Na região há muito mexicanos de língua espanhola.
Decidiram assim iniciar uma comunidade CRIC em Pasadena,
lá pelos anos 1970 mais ou menos. Logo receberam alguns vocacionados
e o primeiro padre foi William Ustaski. Futuramente
vieram Pasquale Vuoso, Leo Walker, Charly Lueras, James Garceau. Atualmente
nossos padres estão atendendo duas paróquias na cidade de Santa Paula, na
diocese de Los Angeles. Em setembro de 1998 Thomas
Dome foi ordenado sacedote e acompanha a
animação vocacional na comunidade CRIC da California.